sábado, 30 de março de 2013

Vão Se Cruzar Por Aí.


E, fatalmente, vão se cruzar por aí. São tantas as esquinas. Vocês vão beber um café quente juntos, falar amenidades, sobre novos cortes de cabelo, você está bonita, e você mais maduro, como está sua mãe e tudo mais. Nos momentos de silêncio, baixarão o queixo, com medo de amarrar olhares e, talvez, voltar tudo aquilo outra vez. Mas vai ser só isso.

- Gabito Nunes.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pequena Notável.


Ela é comum e mais uma na multidão. Insegura, tem medo que seus sonhos não se realizem. Mas sua vontade de lutar é especial. Os amigos a adoram, só não gostam quando está carente. Fica mole, pedindo colo, nada parecido com aquela menina cheia de si e segura assim que suas conquistam começam a figurar no horizonte. 

Complicada? Ela nunca quis ser fácil de entender. A não ser quando ela se descomplica pra alguém. Estar só, às vezes, é alívio. Encontrar um amor? Mais um sonho. Pode ser numa esquina, abrindo a porta, lendo um livro no parque, ou em qualquer uma das suas atividades de mulher independente e de casca grossa. 

Comum? Sim. Como ela existem milhares de mulheres, mas nem por causa disso ela não possa ser chamada de Notável. Pequena, cabe num abraço apertado, num sonho planejado, num salto bem alto, numa frase do Caio, num verso do Tom, num gesto raro, num livro bom, num diferente penteado, numa roupa provocante, numa única solidão, no fundo de uma taça de champagne. Só não consegue caber numa única definição.

- G. Lacombe.

Vestidos Que Se Vão.


Eu queria que caísse um raio na cabeça dele, mas não, a única coisa que aconteceu foi ele arrumar uma peituda em duas semanas. Eu? Não fiquei chorando pitangas nem carambolas nem acerolas. Quando ele virou pra mim e disse que precisava de um tempo, eu liguei pra mãe dele e disse "graças a Deus você não é mais minha sogra". O quê a velha fez? Retrucou dizendo "ele nunca foi meu filho enquanto esteve contigo! Logo, nunca fui sua sogra". Ódio à primeira vista. Os amigos dele disseram que lamentavam, mas tavam precisando de reforço no time dos solteiros mesmo. Estreou marcando três. Três marias-chuteiras que tavam olhando de fora. 

No primeiro fim de semana eu fiquei postando frases da Tati e da Clarisse. No segundo, saí pra comprar um par de sapatos novos e me senti melhor. Ah, publiquei muita coisa do Caio. No terceiro eu comprei um vestido, liguei pras amigas e fui pra boate. Não caiu um raio na cabeça dele, mas o queixo veio à baixo quando me viu agarrada com um cara na fila pra entrar. Um amigo gay, mas ele não precisava saber. 

Depois, parei pra pensar e tive uma epifania: as pessoas passam na nossa vida como vestidos. Alguns caem bem, outros não. Alguns esvoaçam e te deixam na mão, tem os que rasgam e se vão na primeira vez que a gente usa. E terão aqueles que serão os preferidos e nunca mais sairão de nossas vidas. Isso se nenhuma medida mudar, né?. Eu queria que um raio caísse na cabeça dele, mas o vestido novo já me caía tão bem que bastou. 

- G. Lacombe.

Destinos Cruzados.


Nossos destinos vem dando pinta de que estão pra sempre cruzados. A gente era da mesma creche, fomos para colégios diferentes. Nos reencontramos no terceiro ano, mas, obviamente, não lembrávamos do detalhe de criança. Apenas durante uma conversa descobrimos o fato. 

Mais uma vez nos distanciamos. Você foi fazer faculdade no interior e eu fiquei na capital. Agora, anos depois, te reencontro por acidente entrando no elevador de um prédio no Centro.

Poderia ter sido escrito, mas seria bobo demais. Poderia ser acaso, mas fatalidade demais. Não importa o que foi, aconteceu. Pra mim, o que temos que levar em consideração e aproveitar, é o fato de termos nos encontrado. De novo. Isso tem que significar alguma coisa boa.

- G. Lacombe.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Carta de Um Coração Em Pedaços



Uns com tanto, outros com tão pouco, e eu com a sua ausência. Sete e quarenta da manhã, coloco os pés no chão: primeiro o direito, para não correr o risco do mau-agouro – precaução nunca é demais, afinal, nada é tão ruim que não possa piorar. Olho para o lado esquerdo da cama que você gentilmente dividiu comigo durante esses pares de anos e percebo que a única coisa que ficou daquela nossa vida, na verdade, foi o que não ficou. Eu não tenho tido muita sabedoria para lidar com a inoperância do meu coração. Um coração que tanto bateu, mas que agora só apanha. Um amontoado de músculos atrofiados e caídos de quatro no ringue da vida, enquanto a sua sombra vem e curra tudo por trás. Sem dó, sem lubrificante e com areia.

Acho que é por isso que dor de amor dói mais do que qualquer Benzetacil nesse mundo. O calibre de uma agulha introjetando mil coquetéis químicos qualquer veia aguenta. Quero ver aguentar o calibre de um pau que, ironicamente, fode a única parte do meu corpo que eu sempre fiz questão que se mantivesse imaculada – o meu coração. E aí, como se não bastasse tamanho estrago, introjeta nele um misto de bem-querer e de malquerer, uma taça de fermentado seguida de uma dose de destilado, um calor insuportável e depois um frio cortante. E eu fico aqui, metade viva, metade morta, pedindo clemência e um copo d’água.

Aqueles quatro cômodos situados à rua dos Operários, número trezentos e quarenta e três, apartamento vinte e nove, aos quais carinhosamente já chegamos a chamar de ninho, também não estão sabendo lidar com o peso da sua partida. A infiltração na parede do nosso quarto aumentou – devem ser os tijolos chorando a sua ausência. Já lavei três vezes a fronha onde você repousava a sua cabeça de segunda a segunda, e ela continua inundada pelas notas cítricas daquele seu perfume inebriante. E por falar em notas, a nossa vitrola, que cantava tão bem, vem desafinando: coloquei “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” e, pela primeira vez na vida, ela engasgou, como se estivesse tentando extravasar um grito ou um choro preso na garganta. E pra não dizer que não falei das flores, aguei duas vezes as violetas na janela essa semana, e elas continuam tão murchas e esquálidas quanto o meu sorriso.

Meu corpo, que já teve um nome, bom-humor e amor pra dar e vender, hoje é um estabelecimento de portas fechadas e paredes pichadas com a tinta vermelha da sua indiferença. As unhas vermelhas que tantas vezes desenharam o mapa do Brasil nas suas costas nuas agora vivem foscas e descascadas. E os braços tatuados que você tantas vezes massageou hoje carregam o peso da sua escolha.

Agora é a minha vez. Entre trancos e barrancos, escolho os barrancos. Até que alguém venha, como quem não quer nada, e lá do alto me estenda a mão. E eu responda a um SMS carinhoso na pouco esperançosa noite de uma quarta-feira. E eu me pegue pensando nele no ônibus a caminho do trabalho. E vivamos mais uma bela e destrutiva história de amor. Mas isso é papo para o próximo capítulo. Por enquanto, sigo fechada para balanço. Até que alguém me balance novamente.

Com pesar,
Um coração em pedaços.

- Bruna Grotti, Adaptado.

Desapego Em Forma de Carinho.



Te ligo em plena madrugada de sexta-feira, você é inteligente e sabe que não é saudade, mas sim só vontade de te comer de novo. Qualquer uma acharia um descaso e já me julgaria como idiota a partir desse momento, mas você era diferente… Aquele momento era nosso, estávamos de comum acordo e apesar do nosso desapego sentimental eu sempre tive a maior paciência de ouvir se você preferia Veneza ou Paris e assim conversarmos sobre as banalidades das nossas rotinas.
Sabe, era uma mescla muito intensa de carinho e safadeza para um lance somente casual, mas talvez esse fosse o charme. Era só a gente ali desabotoando o pudor com palavras, arranhões, puxões de cabelo e qualquer coisa que fizesse as paredes daquele quarto sumir. Pelo menos por um instante.
Nossa relação era como uma carta sem endereço, sabíamos que ela não iria chegar a lugar algum, mas não importava, até porque só nós precisávamos saber o que tinha dentro dela.
Vou embora, com um sorriso no rosto pelo simples fato de saber que ele combinava com o seu. E assim nos garantimos que a palavra respeito terá sempre a mesma importância nessa nossa relação. Uma relação mantida por um beijo, um tapa e vários sorrisos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Imperfeição.


Na maioria das vezes, a imperfeição do amor o torna perfeito.

Na imperfeição do ciúmes, nasce o zelo ou cuidado. Na imperfeição da distância, nasce a saudade que, de tão imperfeita, é algo bom. Na imperfeição do excesso, nasce o meio termo. Na imperfeição do medo individual, nasce a coragem a dois. Na imperfeição de uma noite fria, nasce o fato de dormir abraçadinhos. Na imperfeição da perda, nasce a coragem de reconquista. 


Na imperfeição da dificuldade de lutar em um momento sozinho, nasce a força de ter alguém segurando sua mão. Na imperfeição do erro, nasce a vontade de acerto. Na imperfeição do "um", nasce a junção dos "dois. E a única imperfeição que não torna algo possivelmente do bem, é o fato o fato de não aceitarmos as imperfeições e sumir, simplesmente por achar que, com mais essa imperfeição, iremos curar a ferida causada no início.


Nós somos o fiel retrato do que desejamos ser, afinal, somos imperfeitos que lutam toda uma vida atrás de uma utópica perfeição.


- Matheus Boa Sorte.

terça-feira, 26 de março de 2013

Aquela Menina.

Aquela menina que antes aceitava qualquer vestígio de carinho, qualquer companhia mesmo que obrigada, hoje passou a querer mais. Parou de se contentar com pequenezas que não a fazia sair do chão, e passou a exigir mais.

Parou de se deixar ser tratada como opção e quis ser priorizada e consequentemente se priorizou. Percebeu que onde não havia reciprocidade, também não havia sentimentos inteiros, e consequentemente começou a ser recíproca com sua vida, sua saúde mental, espiritual e carnal.


Tratou de se divertir mais, sorrir mais, se importar menos e consequentemente assustou aquele cara, que pensava que a tinha na mão. Ele percebeu que por não saber ser gentil, não saber ser o homem que ela esperava ele a perdeu.


E sabe o que mais o espantou? É que depois de tudo isso ele finalmente percebeu que ela era uma mulher de verdade, e que na verdade nunca a teve.


- Cris Coelho.

Gosto Que Persistam.


Pra falar a verdade, sou meio egocêntrica. Não suporto a idéia de alguém desistindo de mim no meu primeiro ''não'', fico chateada, de verdade. Gosto que insistam, mesmo que eu nunca vá ceder. Mas gosto que gostem de mim, é isso. É egoísmo mesmo, to assumindo. 

Acontece que eu gosto de me sentir especial, de ver que mesmo negando o cara ainda faz questão de tentar mais um pouco porque ele simplesmente acha que eu valho a pena. Faz bem pro ego – eu diria que chega a fazer bem pra alma. Me dá nervoso quando partem pra outra sem insistir um pouco mais em mim, parte meu coração. 

Até porque, não é porque eu recusei uma vez que vou recusar de novo depois. Meu ''não'' pode virar um ''sim''. Mudo de idéia sobre o meu sapato minutos antes de sair de casa, trocar três letras de uma resposta é fichinha, e pode acontecer a qualquer momento, minha impulsividade ta de prova. Você não precisa correr pra vizinha ou pra fulana que sempre te deu mole, espera um pouco, insiste um pouco mais. Me faz ver que você vê o meu valor, me faz ver o teu. Persiste que eu não resisto.

- Teca Florencio.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Viciada.


Viciada. Era isso, no mesmo estado de qualquer dependente químico, que faz o que for preciso pra sentir o efeito da droga mais uma vez. E tem crise de abstinência, alarmes falsos de cura, recebe ajuda e não quer, “tô bem, posso controlar, eu juro”. Mas não posso. Aliás, não como qualquer um, eu já sou de um estado avançado. A doce sensação só por uma última vez, que nunca é a última de verdade. 

Só que a minha droga é o amor. E como se reabilita de um coração compulsivo? Acho que não se reabilita, se rende. Foi o que eu fiz. Porque o embrulho no estômago de uma partida me parece mais saudável, confortável e familiar do que um estômago vazio. 


Odeio vazios. Por isso transbordo e quase sempre afogo quem não sabe nadar. Que se dane, falha deles, falha de toda uma cultura que acha que “é melhor pecar por falta, do que por excesso”. Odeio faltas. 


E a gente nasce programada a preferir vazios a qualquer sensação estranha ou que não seja muito cômoda. Bando de covarde. Foi por isso que me viciei. A minha droga se tornou ilegal, não é bem aceita, é pouco procurada e alvo de olhares tortos, dedos apontados, julgamentos. Mas já era, viciei. 


Não consegui viver de doses homeopáticas, porque só ela me livra de toda uma sociedade, de todas as histórias mal vividas, da loucura da vida, de mim. Só assim eu me derramo pelo mundo, marco fundo, alcanço o céu e sou livre, enfim. E todas as vezes de desespero, que me injetei desapego, nunca expulsaram todo esse amor de mim.

- Marcella Fernanda.

O Que É A Mulher.


Porque a mulher é um conjunto. Um dicionário completo. Mulher é um devaneio perfeito e um paraíso primoroso. A mulher tem em seu sorriso a arma mais poderosa do mundo e em seu colo o centímetro mais caro da Terra. Espaço esse que nenhum arranha-céu moderno de Dubai consegue se comparar.

A mulher nasceu para ser dona do mundo. E não me venha com essa história de que Eva foi feita da costela de Adão. A mulher nasceu primeira. Fez as flores, os jardins e os bichinhos. Depois, sentiu falta de um colo masculino e de alguém para matar os insetos nojentos que surgiram por acaso. Aí sim, houve a necessidade de um companheiro. No dia que a mulher descobrir que possui as rédeas de qualquer relacionamento, os homens terão que fazer muito mais do que piadas irônicas, recitar músicas do Chico Buarque e ter um peitoral confortável para atrair à atenção feminina.


- Hugo Rodrigues.

domingo, 24 de março de 2013

Diminuir A Barulheira.


Às vezes é preciso diminuir a barulheira, parar de fazer perguntas, parar de imaginar respostas, aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe. E ele conta. Com a calma e a clareza que tem.

- Ana Jácomo.

Eu Escolho A Não-Dor.


Queria que você entendesse que eu nunca quis cortar suas asas, só queria voar do seu lado. Que você não me visse como nenhum tipo de ameaça, eu seria incapaz de te causar qualquer mal. Mas se você acha o céu pequeno pra nós dois, prefere esse vôo solitário, o que eu posso fazer né ? É uma decisão que não cabe só a mim. 

Aliás, terminar ia ser uma atitude egoísta da minha parte, decidir assim por nós dois, isso é uma coisa que também não cabe só a mim. Mas ia ser justo eu ser um pouco egoísta, já que você foi durante toda a nossa relação. Mas sabe o que eu não quero ? Daqui a um tempo olhar pra trás e ficar me perguntando como teria sido, essa tortura do E Se eu não quero mesmo. 

Dói com você, dói sem você, não tenho visto muita diferença. O tempo que eu vou levar pra superar nosso fim pode ser o tempo que levaria pro fim acontecer sem dor, caso continuarmos juntos. Quem sabe? 

Então que a gente termine tão naturalmente quanto começou. Não vou mais forçar esse fim, dói tanto.. E quer saber? Não quero mais dor, essa é a minha escolha. Não escolho você, nós, o fim, o começo. 

Escolho a não-dor e o que ela trouxer junto. Quando der, a gente se vê, quando não, não vou mais me importar. Hoje eu tô afim de voar também, bem alto. Então faz assim, entra e fica a vontade, mas deixa a porta aberta.

- Marcella Fernanda.

O Que Ela Precisa.




Ela só precisa de alguém que acredite nela. Com um pouco de exagero, alguém capaz de pular de um penhasco para salvá-la, ou simplesmente, alguém que seja capaz de acender uma luz, quando todas as outras se apagarem.

- Vitória Oliver.

Eu Sei Como É.



- Por que nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que ela é errada?

Essa eu sei a resposta. Porque você espera estar enganado, e sempre que ela faz uma coisa que mostra que ela não é boa, você ignora, e sempre que ela age bem e te surpreende, ela te reconquista. E aí você esquece a idéia de que ela não serve pra você.

Era do cara que você gostava? *Referindo-se ao envelope em cima da mesa.*

Era sim. Mas acontece que ele não me amava como eu esperava. Bom, o que estou tentando dizer é que eu entendo o que é se sentir a menor e a mais insignificante das criaturas do mundo e isso faz você sentir dores em lugares que nem sabia que existiam no corpo. Não importa quantos penteados novos você fizer, ou em quantas academias entrar, ou ainda quantas taças de frisante você tomar com as amigas, você ainda vai pra cama, toda noite, pensando em cada detalhe, imaginando o que fez de errado, ou como pode ter interpretado mal, e como foi que por um breve momento, você achou que podia ser tão feliz. Às vezes você consegue até se convencer de que ele, num passe de mágica, irá ate à sua porta... e depois de tudo isso, demore o tempo que tenha que demorar, você vai para um lugar novo, vai conhecer pessoas novas que fazem você se valorizar e pedacinhos da sua alma vão finalmente voltar. E aquela época turva, aquele tempo ou a vida que você desperdiçou, tudo isso começa a se dissipar.

Tome, você precisa mais do que eu... *Entregando um copo de whisky.*


- O Amor Não Tira Férias.

Recomeço.


Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha. A possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas. O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente. 

- Ana Jácomo.

sábado, 23 de março de 2013

Ruim Com Ele, Melhor Sem Ele.


"Ruim com ele, pior sem ele." Quem inventou essa frase com toda certeza viveu no século passado onde as mulheres eram submissas e aceitavam tudo que lhes era imposto. O marido batia, traía e elas ainda sustentavam um sorriso no rosto esperando ele com a janta posta em cima da mesa. Vocês não acham que está mais do que na hora de reciclar essa ideia ultrapassada? 

Com ele você acorda emburrada porque ele não teve o tato de te enviar uma mensagem de bom dia. Tem que se preocupar em chamar a atenção para si porque ele sequer nota ou faz um elogio. Com ele seus finais de semana são repletos de ciúmes, brigas e discussões sem sentido. Quando na verdade você só queria um pouco de carinho. Com ele você é escrava das suas palavras, não pode ser você mesma e nem fazer o que te dá vontade. Com ele suas amigas viram inimigas e seus amigos precisam ser deixados de lado. Para ele olhar para o lado é errado e demorar a responder mensagens só é ele quem pode. Então quer saber? Esquece, deixa pertencer ao passado

Sem ele você vai poder ser quem você quiser, vai poder ficar um dia inteiro sem dar satisfações. Vai ter os amigos que quiser. Vai ser mais você. Vai dar valor à sua individualidade. Não vai ter medo de olhar para o lado. Vai dançar sozinha pela casa, cantar sem motivo e ter esperança a cada desconhecido que ver pela rua. Vai se encher de alegria e vontade de viver. Vai querer se tornar uma pessoa melhor. Vai se sentir carente em algumas noites, mas vai se lembrar que se sentia assim quando estava com ele também. Estar com ele era o mesmo que estar sozinha. Não estou dizendo que vai ser fácil, junte toda sua coragem e escolha viver por você.

Ruim com ele? Muito melhor sem ele. Não tenha medo de ficar sozinha, você fica bem melhor assim. Acredite. Se liberte do que te faz mal.

Texto dedicado a todas aquelas garotas que permanecem em um relacionamento ruim porque tem medo de ficar sozinhas.

- Isabela Freitas.

Cansada.


Eu estou cansada de acreditar, de insistir, de sorrir, de pedir, de ajudar, de confiar, de dar mais uma chance, de esperar, de ser paciente, de entender.. Mas, sobretudo, estou cansada de acreditar que tudo pode mudar.

- Isabela Freitas.

Reencontros.



Reencontros são carregados de clichês. Sendo o antônimo de despedidas, sempre há um aeroporto, uma rodoviária e até uma estação de trem que marque ponto na lembrança de quem ouve e vive esta palavra.

Fora os eufemismos, traz consigo as mais diversas sensações. É como pisar em terreno antes conhecido, mas não tão íntimo agora uma recompensa dada pelo destino depois de anos de espera (ou não). Um doce oferecido à criança quando ela se comporta bem. É sempre um recomeço, uma estaca zero mais que bem vinda.

Eu adoro reencontros, assim como me agradam mudanças. E ele, de fato é uma grande reformulação de estratégias. Tudo que se reencontra o faz com uma nova roupagem, com voz e pulsações diferentes. É sempre uma oportunidade de começar a história com cara limpa e peito aberto.

E, cá entre nós: cai muito melhor um “mais uma vez” do que o prosaico “era uma vez”.


- Aryane Silva.

O Que Eu Posso Ser.



Às vezes sou doce, outras sou pedra no sapato de quem cruza meu caminho com espinhos. Sei ser abraço apertado para quem merece e carinho verdadeiro para quem preza o bem querer. Mas também sei ser solidão para quem não me acompanha, saudade para quem me sabe de cor, ausência para quem não soube regar o sentimento e eco para quem não entendeu o que eu disse. A vida me ensinou a ser um pouco de cada coisa, mas nunca deixar a essência morrer.

- Aryane Silva.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Caiu a Ficha.


Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. 

Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso.Tenho algo que certamente você não encontra nessas suas amiguinhas: assunto. Bastante assunto. 

Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba. Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos. 

Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.

- Tati Bernardi.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Falta de Reciprocidade.



Eu odeio não ser correspondida. No abraço, quando eu dou “Bom dia” pra alguém que finge não ter ouvido, quando eu amo, me entrego e não recebo nada ou quase isso. Não suporto e não sei lidar com a falta de reciprocidade. Quando eu considero e não sou considerada, respeito sozinha, quando eu vou falar com alguém, morta de saudade e sou ignorada ou tratada friamente. 

O que me deixa louca, inconformada, com raiva de mim, não é o pouco ou as coisas ruins que eu recebo em troca. É o desperdício de tudo que eu dou de bom, assim, de bandeja, pro cafajeste convicto, pro trocador mal humorado, pra tanta gente rasa e ingrata. E nada desfaz esse nó na garganta, só porque eu podia ter feito diferente, empatado o jogo e transformado tudo no clássico “chumbo trocado não dói”. Porque é isso e me alivia demais essa coisa de pagar na mesma moeda, receber seis e dar meia dúzia ou menos, só pra não arriscar o prejuízo. Eu volto pra casa com a sensação doce de dever cumprido, justiça. Como se eu tivesse gritado pro mundo “Meu bem, comigo não! Presta atenção.” 

Mas quando eu vejo, quase sempre e meio que automaticamente, tô dando “Bom dia” pra outro cobrador mal humorado e recomeça o ciclo, como uma bola de neve. Porque, mesmo que sem querer, por impulso, eu sou superior a eles e a isso. De verdade, do jeito mais puro que se pode ser superior, naturalmente, nada planejado. E deixo minhas esmolas de coisas boas por aí, porque não me faz falta, eu tenho de sobra e também tenho a certeza de que eles precisam bem mais do que eu. Podem ficar.
- Marcella Fernanda.

terça-feira, 12 de março de 2013

Gostar de Livros.

Existe uma sensível diferença entre gostar de ler e gostar de livros. Muitos dos que se incluem no primeiro grupo leem apenas revistas, manuais de instruções, outdoors, bulas de remédio, encartes de discos, volantes distribuídos em sinaleiras e um que outro best-seller, tudo em nome da informação. Nada contra, antes isso do que ser analfabeto. 


E há os fanáticos. Aqueles que têm com o livro uma relação íntima, quase religiosa, e que não deixam para abri-lo só quando a tevê está estragada. 


Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encosta-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. Gosto de sublinhar as passagens mais tocantes. Gosto do barulho das páginas sendo folheadas. Gosto das marcas da velhice que o livro vai ganhando: orelhas retorcidas, a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. 


Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros. É como se fosse habitada por pessoas sem imaginação, que não tem histórias pra contar.


- Martha Medeiros.

Para Toda, Há.


Para toda angustiante interrogação, existe uma inesperada exclamação. Para toda vírgula que não te deixa ir adiante, existe um ponto final. Para toda reticência que dói para sempre, existe um novo parágrafo.

- Caio F. Abreu.

domingo, 10 de março de 2013

Um dia.


Um dia você vai encontrar o homem da sua vida. Seu melhor amigo, sua alma gêmea, aquele que você poderá contar seus sonhos. Ele vai tirar seu cabelo dos olhos. Te enviar flores quando você menos esperar. Ele vai ficar admirando você durante os filmes, mesmo que ele tenha pago 8 reais para assistir. Ele vai te ligar para dizer boa noite só porque ele sente sua falta. Ele vai olhar no fundo de seus olhos e dizer: ‘’Você é a garota mais bonita do mundo.’’ E pela primeira vez em sua vida, você vai acreditar.

- Nicholas Sparks.

sábado, 9 de março de 2013

Nostalgia de Você.



Eu to numa fase bacana da vida, sem nós no peito (o que por um lado é ruim, pois a paz sempre me dá alguns quilinhos a mais e alguns textos a menos), mesmo assim resolvi fazer uma sessão nostalgia. Não sei se é porque agora, nesse exato momento, estou ouvindo “To know him is to love him”, da Amy. Só sei que a noite está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia. 


Lembro com carinho de quando nos conhecemos, você parecia um cara tranquilo demais, caseiro, mas com o tempo percebi que era não era bem isso. Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão raros os nossos momentos e sempre eram bons. Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: das suas histórias. Me faz muita falta ouvir sobre sua vida, suas histórias, seus medos, seus desejos, suas angústias. E como me faz bem saber o quanto você confia em mim, o quanto você se sente bem em conversar comigo.


Gosto tanto de lembrar tudo o que vivemos em apenas um ano. As brigas, discussões sem fundamento, os momentos bons, que foram muitos. Aprendi muito com você, coisas que levarei pro resto da minha vida. Lembro que você me ensinou que drama não funciona contigo. Que a raia reproduz daquela forma estranha, dentro daquela casquinha preta, e que cavalos marinhos quando secam podem ser uma bela decoração. Que vodka não se bebe em Rio do Sul. Que amigos mesmo, os de longa data, também brigam, mas que no fim tudo se resolve. Que soro caseiro se faz com uma pitada de sal e uma colher de açúcar, e que devemos tomar em apenas um gole. Que molho vermelho fica bem melhor com manjericão. E correr na praia com chuva pode ser divertido de madrugada. Que o casal da mesa ao lado pode ser uma ótima companhia. Ah! E que pegar carona no guarda-chuva de pessoas estranhas pode ser engraçado. Que o cara de cadeira de rodas pode nos surpreender. E que quando você fala mais alto, e eu falo mais alto ainda, é minha hora de calar a boca, por que você sempre vai ter razão. Você me ensinou muita coisa, a te respeitar, te admirar, te querer, só não me ensinou a te amar, isso aprendi sozinha.


Você me fez perceber que ciúme é um saco, principalmente quando você invoca em algo ridículo, mas eu mesmo assim acho lindo. Sabe, quando estamos distantes, mesmo que por horas, sinto muita saudade, de dormir abraçada, de encaixar o rosto no vão das suas costas e querer ser embalsamada ali por mil anos.


A vida fica surda sem você, porque o volume do mundo abaixa para ouvir meu grito interno. O mundo fica passando como um filme Super Oito na parede, as pessoas estão felizes, mas parece que faz tempo demais e sentido nenhum. Sem você sinto essa felicidade sem som, como se por maior que fosse um sentimento, ele já nascesse com defeito.


Eu sei que eu posso muitas coisas sem você, e eu sei que, se eu tomar um banho quente e comprar uma roupa nova, talvez eu possa querer uma coisa que seja, só uma, sem você. Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado, as pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.


Às vezes sinto que você vai me querer pra sempre, e vai assumir tudo isso e ficar ao meu lado pra sempre. Por que eu ainda sou frágil, preciso de você, preciso que cuide de mim. Mas não quero sujar nosso amor com a minha mania de amar despedaçada e esfarelada, quero ficar toda inteira pra quando você me quiser.


Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar a vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase doze anos a menos, da mania que tenho de arrumar sua casa, suas roupas em cima da cama enquanto você tomava banho e de quando você me apertava no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.


Sabe aquele cantor que agora é ator e autor? Aquele que cantava “você venceu, batata frita”. Ele me fez pensar em nós agora. Taí. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele.


Pois é te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E como você diria: foda-se você.


Te amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de transar com você no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos netos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Pois ninguém acredita na gente, nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente.


Sabe, não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.


- Tati Bernardi.

O 'Te Amo'.

Te amo é um grito. Uma eterna frase em capslock, mesmo quando é dita baixinho ao pé do ouvido ou no silêncio de um olhar apaixonado. Te amo, ainda em sua simplicidade, é sempre no plural. É sempre recheado de planos eternos e vontades de ficar junto. Te amo não é um estado de espírito, agradecimento ou cumprimento. Te amo não é bom dia, boa noite, nem muito menos obrigado. Te amo não é moeda de troca, nem objeto para tentativa de suborno sentimental. 

E enquanto os elogios são um leve carinho, o Te amo é um soco, um murro, um atropelamento indolor. Um trem descarrilado que só sabe amar. Te amo não requer compromisso ou reciprocidade. A gente ama o amor. E ama por amar. Te amo é uma rua em mão única, mas que adora se tornar via dupla. Te amo é muito mais do que duas palavrinhas ou uma soma de cinco letras. Te amo é um alfabeto inteiro. É um arco-íris de letras bondosas. 

Te amo é o título de um enorme texto subentendido. Te amo são contos, fábulas, histórias. Te amo é um elogio infinito. Te amo é achar o céu e o oceano um tanto pequeno e apertado. Nada no Te amo é resumido. Tudo é exagerado. E enquanto o ‘você me faz feliz’ tem seu prazo de validade, o Te amo é um contrato vitalício.

- Hugo Rodrigues.

Pessoas Que Eu Gosto.


Gosto de pessoas que admitem o erro, falam que estão com saudade e deixam de lado o orgulho. Gosto de gente que sabe dar valor ao que tem, que faz por merecer e não finge ser o que não é. Gosto de pessoas que sorriem mesmo cansadas, mesmo chateadas e mesmo quase morrendo por dentro.. E é por isso que tá ficando cada vez mais difícil de eu gostar de alguém nos dias de hoje.

- Wilkeer Souza.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz Dia Nosso.


Parabéns para você, que, linda, lida com explosões hormonais uma vez ao mês. Que sente tudo inchar. Que chora por besteira. Que valoriza bobagens. Que acredita em filmes de amor. Que faz coleção de esmaltes. Que ama sapatos, bolsas e cacarecos para colocar no cabelo. Que compra só porque tava em liquidação. Que sempre precisa de alguma coisa. Que acha o amor a coisa mais bonita – e importante desse mundo. Que sabe como é fundamental olhar para si mesma – ainda que de vez em quando se perca e se preocupe em demasia com o "querer" do outro.

Parabéns para você, que dia a dia aprende mais sobre você mesma. Que erra para aprender. Que é forte o suficiente para seguir em frente – sem lamúrias, mas com maturidade e sensatez. Que de vez em quando esquece a própria idade e o juízo em algum canto. E depois acha, como mágica.

Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus.

Parabéns para você, que tem ambição. Em crescer, fazer mais, evoluir, ser melhor, ganhar destaque, conquistar o mundo. Eu sempre quis ganhar o mundo, e você? Parabéns para quem abriga dentro de si todos os melhores sentimentos – e toda a coleção de pensamentos.

Parabéns para você, que por algum momento desacreditou no amor. Que sofreu, chorou, mas percebeu que é preciso continuar – de algum jeito ou alguma forma. Que é preciso ter fé, pois o que tiver que ser a vida se encarrega de fazer. Que não consegue ler letras duras, mas que foi obrigada a digerir frases pesadas.

Parabéns para você, que encontrou um amor para chamar de seu. E que acredita que o para sempre nunca acaba – até que ele olhe para você e diga que nunca acreditou nessa coisa mulherzinha e babaca de mulher-da-vida-amor-da-vida.

Parabéns para você, que tem o emprego que queria. Isso hoje em dia é privilégio. Parabéns para você, que tenta engolir diariamente um trabalho meia boca. E que torce para encontrar um melhor rapidinho, porque o que importa é acordar com tesão de trabalhar.

Parabéns para você, que tem um filho lindo. Que olha para o sorriso dele e sente uma paz infinita com sabor de chiclete de morango. Parabéns para você, que não pensa em ter filhos. E que acha que o mundo é um lugar muito complicado para uma criança. Parabéns para você, que é mãe solteira. E que desempenha muitos papéis. Parabéns para você, que jogou no fundo da gaveta o sonho de ter um filho. Só lembre sempre que gavetas não cuidam bem dos sonhos – por isso você é que precisa pegá-los pela mão. E ir.

Parabéns para você, que quer casar vestida de noiva. Ou de Havaianas. Ou na praia. Ou. Parabéns para você, que acha que morar junto está bom – e não quer nenhum papel ou festa. Parabéns para você, que acha que casamento é bom só na novela das seis. E que o melhor mesmo é flertar até o fim da vida – cada dia com um.

Parabéns para você, que adora beijo no pescoço. E que acha beijo na boca a coisa mais deliciosa que existe. Que gosta de musiquinha, vela e flor. Parabéns para você, que acha que no sexo vale tudo – quando existe amor. Parabéns para você, que só conhece o sexo e desconhece o amor.

Parabéns para minha mãe, que é minha primeira referência de mulher. Que acertou ao dizer que a gente deve pecar pelo excesso, não pela omissão. Que cometeu muitos erros – e me ensinou a não repetir passos incertos. Com ela eu aprendi o que é doação – e que a gente deve primeiro entender o que sente e quem é.

Parabéns para a minha avó, que é mulher com eme maiúsculo. Exemplo de força, pureza, vontade de viver.

Parabéns para cada uma de vocês, que sabem o quanto é difícil ser mulher. Mas quer saber? Eu não trocaria isso por nada nesse mundo. Feliz Dia Nosso.



- Clarissa Correa.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mulher.



Mulher não é só um ser. É um mundo. Um mundo em meio a um labirinto confuso e convidativo. Mulher deve mostrar o que há dentro do peito sem transparecer o decote. Vestido longos são bons. Lábios que aspiram ser grossos, também. Mulher deve ter a fala doce como brigadeiro. E um arrepio azedo como torta de limão.

Mulheres que não bebem são boas. Já as que bebem são ótimas. Mulher deve andar como q
uem desfila. Como quem grita por aí tua tendência a ser miss quarteirão de todos os anos. Melhor do que perfume caro é cheiro de banho tomado. E, também, o cheiro da pele suada que empresta tua essência às camisolas mais leves. Melhor do que vestidos da moda são as nossas blusas de sorte. Aquelas que por algum motivo foram esquecidas na segunda gaveta e agora faz parte do cabide principal feminino.

Melhor do que cabelos alisados é rabo de cavalo ou inteiramente despenteados. Mulher deve dormir encolhida e acordar quase me expulsando da cama. Mulheres que xingam são mais atraentes. Mas não xingar como um ser depravado. Mulher tem que ter pudor para saber como não tê-lo nas horas certas. Mulher não precisa saber cozinhar. Mas cabem algumas tentativas frustradas.

Mulher tem no sorriso uma arma capaz de acabar com qualquer exército. E possui no choro capacidade de acalmar qualquer rapaz emburrado. As bonitas que me desculpem, mas lindas são as mulheres inteligentes. Mulher tem que ser interessante. Mas nunca interesseira. Imperfeições são sempre bem-vindas. Uns centímetros a mais na cintura. Uns dedos dos pés assimétricos. Um nariz fino demais para teu gosto. E um bunda pequena demais para teu desejo.

Mulher tem que ter peito. E seios também. Mulher tem que se fantasiar de homem turrão, vez em quando. Mas nunca se esquecer de lacrimejar num filme bobo. Mulher tem que saber falar “Eu te amo” e “Eu quero fuder”. Mulher tem que saber ser moça da cidade. Mas olhares de menina do interior. Porque a mulher, rapaz, é um mundo.

- Hugo Rodrigues.

Teu Gosto Em Mim.


Me beija. Me beija pela  última vez. Pra eu poder levar o teu gosto comigo. Pra ter o que recordar. Sei que tudo acabou, mas eu queria te beijar mais uma vez. Preciso te sentir mais um instante, te tocar, te amar. Pra deixar aquela saudade. Pra te deixar com vontade. Vontade de deixar meu gosto contigo. Pra você ter o que recordar.

Me beija, vai. Beija de verdade. Beija pra valer. Beijo eterno. Beijo selvagem. Beijo suave. Beijo saudoso. Beijo malicioso. Beijo escandaloso. Me beija pela última vez. Mas me beija e sai correndo. Vai embora logo. Vai, antes que o passado passe diante dos nossos olhos, como um filme antigo. Vai, antes que as recordações sejam fortes e tragam à tona os nossos velhos sentimentos. Vai, antes que façamos besteira. Vai, antes que percebamos que estar longe é brincadeira. Vai, antes que eu me desespere. E te diga que não devo. Vai, sai correndo. Mas antes me beija. Me beija como nunca nos beijamos antes. O beijo do tchau. O beijo do adeus. Anda logo e cai fora antes que vire o beijo do recomeço, do volta pra mim, do ainda te quero. Beija, vou deixar a porta aberta. Beija e, antes que eu abra os olhos, sai por ali. E fecha a porta.

- Clarissa Correa, no livro 'Para Todos Os Amores Errados'.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Amor da Sua Vida Desceu Na Outra Estação.



A vida não dorme em serviço. Todos os dias, sem falta, sem falha, ganhamos uma nova chance de mudar completamente o nosso futuro. O ponto da virada, a chave pra transformação de tudo o que você conhece – ou pensava que conhecia – até hoje, passa por você diariamente. São pessoas, essas chaves, esses pontos de virada. Pessoas comuns, das que a gente quase não nota, das que podem cruzar nosso caminho dez vezes no mesmo dia sem nos darmos conta. A gente tem pouco talento para observar o mundo ao redor, essa é a verdade. Nosso celular é tão mais interessante, sempre com as mesmas fotos, as mesmas mensagens, os mesmos interesses. A gente simplesmente não vê a vida trabalhando.

Mas ela, mesmo assim, se esforça, e nos dá outra chance. Essas chances vêm de todo e qualquer lugar. Quer um bom exemplo? As pessoas solitárias do metrô. Elas estão se amontoando, entrando nos horários de rush e se acotovelando para descerem antes que a porta se feche. Às vezes faço questão de fechar o livro que estou lendo, ou ignorar um pouco o Facebook matinal no celular, só para observar as pessoas. Pode parecer que não, mas todo mundo olha pra todo mundo no metrô. Só que parece um olhar de fantasma, uma visão de raio-x, que enxerga as pessoas sem ver ninguém. É assim que o povo que reclama da solidão perde a chance de conhecer alguém que pode mudar tudo dali pra frente. Se você é desses, acredite: você perdeu o amor da sua vida umas mil vezes, no mínimo.

Às vezes é um cara bonitinho que você viu entrar, que estava todo sonolento no canto e que, de tanto sono, deixou cair um cartão, as chaves, um papel, a carteira, qualquer coisa no chão. Você poderia ir lá e avisá-lo, pegar, puxar papo, olhá-lo mais de perto, dar umas risadas, fazê-lo acordar, reparar que ele tem dentes muito brancos, perceber que ele fecha os olhos de leve quando ri e descobrir que ele cursa arquitetura, que está no terceiro ano, que pretende se especializar em casas de veraneio e pousadas. Aí, talvez, quem sabe, ele pegue seu telefone, te mande uma mensagem, te chame para jantar, te roube um beijo, te conte histórias divertidas sobre a infância desvairada, faça perguntas interessantes sobre o seu trabalho, sobre os seus amigos, fale sobre viagens, peça dicas de lugares onde você já foi, te convide para sair de novo, te leve para a casa dele depois do terceiro encontro, te faça pela primeira vez na vida ter um orgasmo ficando por baixo, te peça para dormir lá, te acomode no peito dele enquanto você sonha e te peça para nunca mais ir embora. Isso é possível, sim, claro que é. Você tem que botar fé no seu taco, a vida faz o resto.

Assim como é possível você, cara sozinho que todos os dias senta no mesmo banco, vendo as mesmas vistas e dormindo nas mesmas estações, começar a reparar ao redor. Talvez a moça que está carregando os cadernos bem na sua frente queira ajuda, talvez você possa segurar as coisas dela, reparar que ela está lendo um livro que você já leu, recomendar um outro, perguntar qualquer coisa banal sobre gêneros literários, sobre pra onde ela está indo, sobre se ela não quer se sentar. O roteiro é o mesmo. Às vezes aquela menina linda que entrou é solteira, sim. Às vezes aquela ruiva altona lá na outra porta está mesmo olhando para você, para você e ninguém mais. Talvez aquela menina no banco do canto esteja querendo assistir o novo filme do Tarantino tanto quanto você. Tanto faz! As pessoas se querem, elas têm coisas que interessam aos outros e estão muito dispostas a dividir isso com alguém.

É que a gente é cagão. Sabemos reclamar muito, pedir muito, sentir muita falta, mas achamos um absurdo irmos atrás do que queremos. Vai lá falar com o cara! Vai lá falar com a menina! Eles não mordem. A gente tem que aprender a se dar mais crédito. Somos lindos, claro que somos. Mas isso já seria pedir muito, porque a gente não viu, a gente não vê, você não vê. Você não foi puxar papo com a gatinha de jaqueta elegante porque você não a viu entrar no metrô. Você não ajudou o rapaz sonolento do canto porque quando a carteira dele caiu você estava no celular e quem o ajudou foi um senhorzinho que estava ao lado. Você não retribuiu o olhar fulminante da ruiva no fundo do vagão porque você nem sequer percebeu que ela estava lá. Você, na verdade, nem sabe, mas o amor da sua vida desceu na outra estação e você seguiu viagem.

- Daniel Braz. Fonte: Casal Sem Vergonha.