sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Solidão.



Querer ter alguém pra mandar um SMS no meio do dia; Não ter com quem conversar ao chegar em casa depois de um longo dia, e ser obrigado a entrar em uma rede social pra preencher o vazio; Não ter quem ria com você ao assistir um filme de comédia.. Não ter em quem pensar ao fechar os olhos para dormir.

Às vezes a solidão é tanta, que nos sentimos sufocados. Até que um amigo te manda uma mensagem inesperada. Ou você liga para seu irmão e ele toca violão pra você no telefone e te convida para um chopp mais tarde.


Uma fase ruim é difícil de superar. Mas ela se torna mais fácil quando temos pessoas que se importam conosco. Pessoas que você sabe que não estão presentes fisicamente, mas sempre lembram de você. Seja ouvindo uma música, lendo um texto ou simplesmente passando o dia.


São essas pessoas que nos dão força. Que nos fazem perceber que a vida não parou. E que há muito pela frente.


Só tenho agradecer por ter essas poucas pessoas comigo. Poucas sim, mas fundamentais.





- Tatianna Reiniger Novaes.

A Dor Que Dói Mais.



Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.


Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. 

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.


- Martha Medeiros

- 28/09/2012: 2 meses.

Espelho.




O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando você muda.

- Luís Fernando Veríssimo.

Felicidade.

Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. 

Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo. Que tenham ideais e medo de perdê-lo. 

Que amem ao próximo e respeitem sua dor. Para que tenhamos certeza de que: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.

- Carlos Drummond de Andrade

sábado, 22 de setembro de 2012

O Destino.



Uma hora ou outra o destino se ajeita, as coisas se acertam, o passado é esquecido, as dores cicatrizam. Quem tem que ficar fica, o que verdadeiro permanece, e o que não é some. Não tenha pressa, não guarde mágoas, não queira pouco...sempre queira o melhor. Espere na sua. Aprenda a ser paciente. Aprenda a ouvir uma boa musica quando a tristeza bater. Aprenda a ignorar o que te faz mal. Aprenda, sobretudo, a ter fé. Fé de que, por mais difícil que seja, o universo sempre irá conspirar a seu favor.

- Autor desconhecido.

Modo de Usar-Se.


'Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.
Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

- Martha Medeiros

Sabedoria de Vó.




Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim: É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque, sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.
Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

- Autor desconhecido.

Desapego.
























Demora. Todo desapego demora. A gente, tão acostumado com a presença dos sintomas em nossas vidas, parecemos frágeis. A abstinência é forte, tentadora. Mas o importante é manter foco e, principalmente, a alta dosagem. O desapego é indicado para tudo aquilo que dá saudade e faz mal. E o melhor: sem contra-indicações.


- Gustavo Lacombe.

O Anticorpos Que O Coração Cria.

Uma descarga elétrica, por favor! Meu coração enguiça só de ler o seu nome. Pílulas de autoestima para engolir de oito em oito segundos. Injeções de vergonha na cara. Removam aquelas noites da minha pele no grito, no tapa, na chacoalhada. Belisquem a minha burrice nove vezes, de cabeça pra baixo. Bife cru nos hematomas do meu amor próprio.

Nossa biópsia teve diagnóstico: relação maligna. A distância se amarrando ao tempo, como último recurso de uma cura. Nós em coma por muitas semanas, para que a sanidade combatesse a fantasia que criei. A eutanásia de um amor nunca devolvido.

Você não infecta mais a minha tranquilidade. Meus anticorpos, as recordações daqueles meses, abortando suas aproximações impulsivas e vazias. Boa notícia. Achei que morreria de você.

Não tem mais febre no rosto, quando você chega. Não tem mais arritmia, quando você fala comigo as mesmas palavras; o mesmo discurso; a mesma mentira; o mesmo eu, eu, eu. Não tem mais pontos frouxos do coração esgarçados pelo som da sua voz turista. Não tem mais tentativa de anestesiar o desconforto com embriaguez crônica e muita mão no copo ou no bolso ou no cigarro que tentei fumar; e luz fraca, para que você não radiografasse meu amor hemorrágico. Não tem mais o seu sorriso contaminando as minhas decisões.

O silêncio que você me receitava era dor aguda, menstruando em todas as linhas que um dia escrevi. Sua indiferença intoxicava a minha cabeça com qualquer poltrona vazia no cinema, qualquer beijo público que eu era obrigada a suportar, qualquer copo da cerveja mais vagabunda, que você enxertava como sua única necessidade.

Aos romances sufocados pela vaidade de alguém, aos corações em estado de choque, aos relacionamentos natimortos: meu coração cicatrizado (mas com queloide).

Se importar.



Passei tanto tempo, me importando, me chateando, ligando, correndo, fazendo das tripas corações para segurar o amor que restava nas costas. Agora eu prometi a mim mesma que não carregaria mais nada, peso nenhum sozinha. Não importo tanto, não me chateio tanto, não ligo tanto, não corro tanto e adivinhem só? Também nem preciso segurar mais amor nenhum, parece que agora ele vive flutuando e me acompanhando sempre. Quando eu parei de procurar ser amada, parece que o mundo começou a me amar mais.

~ Tati Bernardi

Desapegar.



A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. 
Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. 
As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita por aí. Mas a gente nunca tira tudo.

Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.

Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa.

Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega.

Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perda de espaço, tempo, paciência e sentimento.
Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

- Autor desconhecido.

Intensa.

 

E Deus me fez assim.. Intensa! 
Na verdade, eu só tenho a agradecer por tamanha generosidade. Ele me deu a oportunidade de ter tudo em um volume maior. Não posso reclamar, nunca que me falta algo, afinal me considero uma pessoa cheia de "muitos". 
Sou muito amiga, muito compreensiva, muito engraçada. Mas também sei ser muito atacada, muito estourada, muito doida, muito ciumenta. 
E independente do que esse muito represente, e da intensidade que ele tenha, sou muito, mas muito feliz. 
É como dizem, se for pra pecar, que seja pelo excesso, mas nunca pela falta! E isso, posso te garantir que eu tiro de letra.

- Autor desconhecido.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Esperar.



Eu não podia esperar por você pra sempre, né? Eu vou me casar. Ele é bom e me ama de um jeito doce e sincero. Talvez, me ame até mais do que você. Ele conta fatos engraçados e me faz rir. Tudo bem que você sabia me fazer rir mesmo sem dizer nada. Mas ele se esforça para ver a minha felicidade. Ele é fiel e sempre deixa claro que nunca irá me trair. Eu odiava a insegurança que sentia quando você não estava ao meu lado.

Ele não tem medo de gatos como você. E até propôs que comprássemos um em nossa nova casa. Sim, a gente mora junto. Ele tem um bom emprego e agora eu trabalho também. Estou naquele hospital que sempre te falei, mas você nunca lembrava qual. Parecia que não prestava atenção nas coisas sobre a minha faculdade. Ele não conhece metade das músicas que a gente cantava juntos. E isso é bom, porque em nenhum silêncio de domingo, ele cantarola algo que me faça lembrar de você.

Mas devo assumir que ainda sinto a tua falta. Principalmente nos dias frios. Ou nos dias de sol. Ou nos dias de nada. Quando eu saio com ele e ficamos até o fim dos eventos, lembro de como eu e você não conseguíamos ficar tanto tempo em meio ao público. A gente sempre dava um jeito de voltar correndo para o nosso pequeno sofá-cama. Lembra?

Passaram alguns anos e soube que você se apaixonou por algumas meninas pelo caminho. Eu estou ficando velha e preciso criar a minha família. Preciso continuar os meus próprios sonhos – aqueles que nem lembrava ter antes de você chegar e tornar tudo “nosso”. Eu não podia esperar por você pra sempre, droga. Mas eu tentei. Eu quis telefonemas após eu desligar o telefone. Eu quis visitas após bater a porta na tua cara. Eu quis palavras doces após xingamentos desnecessários. Eu quis você em tantos caras com cabelo bagunçado que até perdi a noção dos meus próprios gostos.




Hugo Rodrigues.

Amor de Doze horas.



Eu estava solteira, fodida – só no sentido figurado – e mal paga. Levemente deprimida e recém-saída de um relacionamento de anos, ainda tentava curar o doloroso hematoma de um caprichado pé na bunda. Inevitavelmente, bateu aquela insegurança com relação ao próprio corpo que, apesar de jeitosinho, nada tem de espetacular. Dona de temperamento sanguíneo, ascendência grega e, portanto, talento inegável para o drama, eu tinha toda a convicção do mundo de que nunca mais nessa vida conseguiria tirar a roupa na frente de um cara que não fosse o ginecologista na consulta semestral ou o maquiador do necrotério no dia derradeiro. Minhas curvas e reentrâncias estavam fadadas às teias de aranha, à ferrugem, à atrofia por desuso. Nada poderia mudar meu triste destino. Eis que, numa noite qualquer de sexta, cai em meus ouvidos uma perguntinha simples e capiciosa, feita delicadamente num tom repleto de segundas intenções.

 - E aí, vamos pra minha casa assistir a um filme?

O sangue subiu à cabeça e me corou as faces. Eu bem sabia como esse filme ia terminar. Na certa, seria Chapeuzinho Vermelho caindo na lábia do Lobo Mau – o que, sinceramente, me parecia muito mais interessante do que simplesmente passar a tarde com a vovozinha saboreando deliciosas geleias e pães doces numa mesa caprichosamente posta com toalha xadrez de piquenique. Tico conversou com Teco e, enfim, eu disse sim. Pra quê renegar o desejo? Pra quê cultivar um câncer? Pra quê fazer cu doce? Foi aí que percebi que, definitivamente, tirar a roupa não seria problema para mim. Pelo menos não nessa encarnação.

Se eu tivesse contado essa história sessenta anos atrás, quatro quintos da sociedade estariam em polvorosa. Meus pais me deserdariam de uma herança que eles provavelmente nem teriam para me dar. Meu avô padeceria do coração, enfarto fulminante do miocárdio. A coluna social nunca mais estamparia uma foto minha. A vizinha orientaria a filha virgem a atravessar a rua quando me visse andando na mesma calçada – vai que promiscuidade é doença contagiosa? Hoje, graças a Woodstock, aos métodos contraceptivos e a uns pares de sutiãs queimados, sexo casual é um prato que se come quentíssimo, apimentado e sem o acompanhamento do amargo peso na consciência.

Fazer sexo casual é arte. É como entregar a Picasso uma tela em branco e uma aquarela com as cores primárias e deixá-lo livre para inventar o expressionismo que ele bem entender. Bocas nos peitos, peitos nas mãos, mãos nos pênis, pênis nas vaginas, vaginas nas bocas. Tudo é bonito quando não se tem vícios, nem ressentimentos, nem nada a perder. Qualquer contato, qualquer suspiro, qualquer sorriso vira amor quando não se espera uma jura ou uma declaração no final da noite. Toda noite fica incrível quando o envolvimento vem de surpresa. E todo café da manhã fica especialmente gostoso quando é tempo de finalmente tirar as máscaras que cobriram o rosto e a personalidade daquele ser cujo corpo você já conheceu tão bem.

Dez horas da manhã, hora de partir. É cedo, mas já está tarde. Um beijinho no rosto, um abraço apertado, uma carona até o metrô. Na cabeça, a lembrança de uma boa noite. No corpo, o êxtase de ter saciado a ansiedade da carne. Sem planos para um futuro próximo. Mas quem sabe num futuro distante? O destino pode fazê-los cruzar novamente num momento mais oportuno da vida, em que vocês estejam dispostos a se gostar por um período maior do que uma simples noite. Mas por hora, é isso o que se tem – amor de doze horas. É preciso amar as pessoas como se elas fossem sexo casual.

- Bruna Grotti para Casal Sem Vergonha.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lixo, Pessoas Porcas e Garis.

Um universitário dizer que se não jogarmos lixo na rua não haverá emprego para os garis? Sinto tanto por isso. Afinal a natureza é responsável por grande parte da sujeira das cidades. As folhas que caem dos galhos das árvores, por exemplo. E isso já é o bastante para sustento dos humildes trabalhadores.

Se houvessem mais pessoas que entendessem isso, as cidades seriam muito mais limpas e agradáveis de se morar. Pois se não fosse o lixo de pessoas PORCAS, os garis teriam tempo e disposição para cuidar de nossos lares. 

Essa barbárie foi dita por um morador de Guapimirim. Jovem universitário. É esse o futuro que queremos para os nossos filhos que formarão a próxima geração?

#RevoltadaAoExtremo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O caminho precisa ser tão empolgante quanto a chegada.


Todo dia ela também faz tudo sempre igual. Acorda, toma banho, faz café, dá uma checada no Instagram, vai pro metro, pensa em como odeia aquela lotação matinal, chega no trabalho, ouve um pedido do chefe, faz o que ele manda, almoça, começa a contagem regressiva, vai comer uma coxinha na padaria, olha pro relógio, olha pro relógio de novo. Hora de ir embora. Pega o metro de volta, chega em casa, toma um banho, assiste um programa qualquer na TV, come um lanche, programa o despertador pro dia seguinte, vai dormir. Pra repetir tudo de novo no dia seguinte. Se você perguntar a ela o porque dessa rotina diária ela vai te responder como quem responde uma coisa óbvia – porque eu preciso de grana, porque preciso ser consequentemente promovida até chegar numa posição bacana, pra me aposentar como um salário legal, talvez viajar pra alguns lugares, comprar uma TV de plasma, trocar de carro. Essa realidade talvez possa ser um pouco parecida com a sua, ou bem diferente – o que importa é que os mesmos erros acontecem em situações diversas:
Vive-se pensando num destino final. Esquece-se que a trajetória deveria ser tão importante quanto a chegada.
Os sonhos costumam causar esse tipo de confusão nas nossas vidas. Não há nada de errado com eles, pelo contrário, mas acontece é que muitas vezes deixamos de viver o presente pra sonhar com uma realidade futura que nem sabemos se irá acontecer. Você sabe como é. Posso parar de digitar esse texto pra ir pegar uma água na cozinha, tropeçar na escada e morrer ali mesmo. Trágico? Sim. Impossível, com certeza não. Lembra daquela velha máxima que pra morrer basta estar vivo?
De fato, sempre achei a felicidade assustadora demais pra algumas pessoas. Fala-se tanto dela que a constatação da sua existência parece ser algo surreal. É como ser apresentado para a Madonna. Você sabe que ela existe, mas vê-la assim a centímetros de você, se aproximando pra dar um beijinho, chega a ser até assustador. Mesmo que você fosse fã, que cantasse Like a Virgin quando ainda era virgem de verdade, esse encontro não poderia ser natural. Felicidade é assim também. Como podemos presumir que não há realmente algum sentido claro na vida – até porque se houvesse a gente já teria descoberto depois de tantos anos – a gente busca dar um significado pra nossa existência, que muitas vezes é o sonhado “ser feliz”. Então trabalhamos para um dia sermos felizes, malhamos para um dia ficarmos gostosas, estudamos para algum dia termos uma profissão, recolhemos tributos para algum dia nos aposentarmos. No meio de tantos afazeres em busca da felicidade, nos esquecemos do essencial – o hoje, era o amanhã de ontem. Algum dia a gente fez planos para que hoje estivéssemos felizes, mas nem nos demos conta que o futuro chegou já que estamos ocupados demais pensando no futuro de amanhã.

E é então que surge aqueles cliques na vida que nos deixam apavorados: se o presente é a sua única garantia, você pode dizer que está feliz hoje? Se um meteoro se chocasse com a Terra nos próximos minutos você poderia dizer que morreu feliz? Ou estaria apenas existindo enquanto sonhava com um futuro que, lamentavelmente, não chegou? Será que a TV de plasma pendurada na sua sala compensa as horas do seu dia em que passa na frente do computador, fazendo um trabalho para alguém que não gosta, contando os segundos pro relógio chegar nas 18h? Será que o diploma pendurado na parede e a foto com chapéu de formanda na cabeceira da cama dos seus pais compensa a enorme quantidade de horas que passou trancada numa sala ouvindo professores despejarem teorias que não tem nada a ver com você, apenas pra trilhar uma profissão que é bem vista pela sociedade?
Saber onde quer chegar é essencial pra não ser levado por quaisquer ventos. Mas viagem até lá precisa ser aproveitada. Então, tire um pouco o peso da vida das suas costas. Sorria mais por motivos bobos. Gaste mais tempos com os amigos. Ande mais descalço. Cante aquela sua música preferida do Chico em alto som, enquanto as pessoas nos carros ao lado pensem que você é louca. Aliás, seja um pouco mais louca. Pegue um avião pra encontrar aquele amor. Troque o emprego certo por aquele que faz seu coração descompassar, mesmo que todos te digam pra não fazer isso. Mergulhe no mar mesmo que tenha acabado de arrumar o cabelo. Largue a colher e coloque a mão naquela massa grudenta. Converse com as plantas. Peça conselhos pro seu cachorro. Esqueça o guarda-chuva em casa. Vista aquela roupa que só você acha linda e que está totalmente fora de moda. Ria dos seus problemas. Pague uma fortuna por aquela caixa de chocolate com pistaches – coma um por um pensando em como a vida é boa. Deixe de comprar aquele sapato e alimente 5 moradores de rua. Lembre-se de como somos fúteis. Dispense o aperto de mão, tasque logo um abraço. Ligue no dia seguinte e diga que ele tem a boca mais gostosa que você beijou na vida. Se tomar um fora, pelo menos dividiu aquele pensamento com alguém. Saia em menos fotos, vivencie mais momentos. Esqueça de carregar seu celular por 3 dias. Se estiver na dúvida, lembre-se do meteoro que pode atingir a Terra a qualquer momento.
Já dizia Caio F. – a vida é agora, aprende.


- Casal Sem Vergonha

Mulheres e Seus Segredos

Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que seu celular estava sem bateria, de que seus amigos gostam dela ou de que sua ex-namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam de maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos. Ambos funcionarão com você. Ambos te levarão ao céu ou ao inferno. Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.

Mulheres gostam de tardes de sol e noites de frio. Mulheres só falam de boca cheia quando for para você rir um pouco. Mulheres sabem fazer caretas como ninguém. Mulheres são fiéis aos sentimentos e não a um simples estado civil. Apesar de não assumirem, mulheres gostam de ser cuidadas. Mesmo que elas estejam gripadas, com narizes vermelhos e cabelos mal penteados. Mulheres gostam de colo - de dar e receber. Mulheres gostam de cavalheirismos e sacanagens. Ambos têm seus momentos. 

Mulheres gostam de ouvir palavras doces. Mas não se surpreenda se ela gostar muito mais do silêncio que o brilho dos seus olhos oferece ao vê-la chegar. Mulheres gostam quando você chega no horário. E gostam mais ainda quando você as espera sem reclamar. Mulheres gostam de elogios sinceros. Se você falar que ela ficou linda naquele vestido vermelho, você estará assinando um termo perpétuo de que toda vez que ela usar aquele vestido vermelho, você tem que elogiá-la. Ela estará vestindo-o para você.

Mulheres não gostam de homens que falam demais. Nem dos que ouvem de menos. Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadas. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha.


Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que - no fundo, no fundo - querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí - nunca se esqueça disso. Essa é a lição mais importante que você tem que aprender.


Amiga Pra Sempre

Algumas vezes na vida, você encontra uma amiga especial. Alguém que muda sua vida simplesmente por estar nela. Alguém que te faz rir até você não poder mais parar. Alguém que faz você acreditar que realmente tem algo bom no mundo. Alguém que te convence que lá tem uma porta destrancada só esperando você abri-la. Isso é uma amizade pra sempre.

Quando você está pra baixo e o mundo parece escuro e vazio, sua amiga pra sempre te põe pra cima e faz com que o mundo escuro e vazio fique bem claro. Sua amiga pra sempre te ajuda nas horas difíceis, tristes e confusas. Se você se virar e começar a caminhar, sua amiga pra sempre te segue. Se você perder seu caminho, ela te guia e te põe no caminho certo. 

Sua amiga pra sempre segura sua mão e diz que vai ficar tudo bem. Sua amiga é pra sempre, e pra sempre não tem fim.

- Autor Desconhecido.

Sinto saudade.


Sinto saudades de você me buscar na faculdade e me dar a mão só para mostrar aos meus amigos de turma que eu tinha alguém. Sinto falta até de você insistir em carregar minha bolsa e, por mais que eu achasse homem com bolsa de mulher a coisa mais brega do mundo, eu ficava feliz pela sua atitude. Sinto saudades de você me ligar bêbado de madrugada e, mesmo com um barulho insuportável no fundo e com
 tua fala enrolada, você dizia que me amava, mas no dia seguinte nem tocava no assunto como se nada tivesse acontecido.

Sinto saudades de dormir na tua casa com as tuas roupas velhas e achá-las o vestido de noiva mais bonito que eu já possa ter experimentado. Sinto falta até da sua mania de deixar a porta do banheiro aberta, de deixar a tampa da privada levantada e de você, milagrosamente, não conseguir fechar a pasta de dente. Sinto falta até dos velhos copos sujos que você era incapaz de levar até a pia. Sinto falta de perder os meus chinelos sob a cama para, propositalmente, usar os seus e me sentir uma criança brincando com as coisas do pai.

Sinto saudades das tuas mãos – que de bobas não tinham nada – em meio à multidão naqueles shows que íamos juntos. Sinto falta de ficar sóbria ao teu lado e mesmo assim ver o mundo girar como se eu tivesse bebido quatorzes doses de tequila e caipisaquê. Sinto falta de você me colocar no teu colo e aquilo me parecer o esconderijo mais encantado do mundo, como um feto no ventre materno fugindo do planeta perigoso e sombrio lá de fora.

Sinto saudades de estar em véspera de prova, ter ataque de raiva por não saber nada da matéria e você, com seu jeito calmo e seguro, começar a estudar Epistemologia comigo só para me ajudar. Você lia mal e porcamente aqueles textos insuportáveis, mas parecia o melhor professor que já tivera. Sinto falta de sorrir para teus olhos pequenos e tuas sobrancelhas falhadas. Sinto falta até de você rir dos meus dedos dos pés e eu tapá-los sob o edredom, enquanto você gargalhava e me abraçava. Sinto saudades de você me chamando de “neném” ou “bebê”, naquele teu tom irônico que eu detestava.

Sinto falta de te esperar. Sinto falta de te ligar só para ouvir tua voz. Sinto falta trocar SMS sexuais com você. Sinto mais falta ainda de realizar aqueles atos “impuros” contigo. Sinto saudades de te olhar por cima, enquanto nos amávamos – ou trepávamos, como você costumava brincar. Sinto falta da tua respiração, do teu toque e até do teu silêncio ridículo quando chegava de um dia cheio e eu ficava como uma tonta tentando descobrir uma forma de te entreter. Sinto falta de quando você assistia futebol e nem prestava atenção em mim, mas me dava a mão só para sentir a minha presença. Sinto falta de tudo. Porém, sinto mais falta ainda do tempo quando eu também fazia falta para você.


- Hugo Rodrigues.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sofrimento: Você Cospe ou Engole?



Dá licença, posso sofrer sem que me encham o saco ou me chamem de menininha ou de ser humano frágil? Se me tirarem esse direito, viro só mais uma carcaça que trabalha, come, dorme e trepa. Eu não sei como é ser proibida de votar, usar calças compridas, trabalhar e escolher marido.Eu não faço ideia. Eu já nasci diva de cinema, camisinha na bolsa, motorista de carro e divorciada. Já sou presidenta, mas não disse que pagaria com felicidade. Ainda sinto pontadas melancólicas, que me obrigam a chorar de saciar baldes: o único jeito de contar pra mim quando estou triste, apesar do mundo que conquistei.

Engole o choro, Priscila. Me lembro mais dessa frase, do que dos Natais da minha infância. Meu pai sempre mandava essa, quando percebia uma faísca de berreiro. Eu me esforçava para não desapontar o meu herói, mas nunca tive talento pra algemar tristeza.

Chorei no primeiro dia de aula do primário. Não queria ser adulta. Se eu pudesse continuava desenhando bolinhas e brincando de pega-pega. Chorei no banheiro do trabalho, por causa de uma chefe sacana. Chorei no trânsito e um vendedor de rosas no farol me perguntou o que aconteceu. O meu avô tinha morrido e eu enfrentava duas horas de congestionamento. Ignorei caminhoneiros e motoboys ao redor, o meu público. Chegando em casa, não abracei ninguém, fui pro quarto umedecer a cara. A minha família nem imagina que, longe deles, eu sou de açúcar.

Choro pelos caras. Eu coloco músicas pra me lembrar deles e mando ver. Na saída de um show, tive um ataque por causa de um. Um de quem gostei com aquela brutalidade, que não consigo evitar. Uma menina na fila quis me assessorar, Não chora pelo amor de Deus, ela dizia, como se zelasse pela minha dignidade. Que dignidade? Eu já tinha esfaqueado a minha dignidade, desde que me permiti gostar de alguém, que só esfregou a sola do sapato na minha cabeça. Perto de uma dignidade desertora, o que eram umas lagriminhas, detonadas pela cerveja na saída daquele show? Vai ser digna no inferno! Doía, porra. Essas lágrimas que te envergonharam, essas aí, que você tentou barrar, garota, é o meu jeito de expor um ponto de vista. Me violentei toda vez que fiz silêncio. Eu sou de me derramar inteira numa folha em branco. De ter pranto contando pra desconhecidos como me sinto. Sofrer é pra quem tem força. Fica tranquila, porque eu aguento o dia seguinte, 
quando tudo é ressaca de uma surra emocional. Eu aguento. Eu espero sempre aguentar.



Reprimir meu choro é tão agressivo que acabo no hospital. É travar boca. É calar teclas. Não suporto gente contida. Não entendo. Cheira a aguado. Gente que ri sem arreganhar os dentes. Personagens vazias, poluídas de bons modos. O que passa pela cabeça de vocês quando a luz se apaga e a vida é mais franca? Vocês enchem a cara de álcool para amortecer o coração mastigado? Como vocês esparramam suas lasquinhas de dor secreta?

Eu não quero ajuda. Eu gosto do meu exagero. Gosto de quando o sofrimento aterrissa, pra eu esvaziá-lo até a última linha. Descrevê-lo em gotas salgadas – antes que passe. O sofrimento é turista. Gosto de encadernar suas fotografias, porque me vestem de espertezas futuras. Eu nunca chorei pelo mesmo Adeus. Se eu reprimo, a dor transborda por poros desajustados e me convence de que faço escarcéu, em vez de desabafos. De que transformo vírgulas em parágrafos. Me dá licença. Vou sofrer sempre que puder. Eu não vou engolir o choro, vou cuspir pelos olhos.

- Priscila Nicolielo, Casal Sem Vergonha.

Carta Aos Homens de Hoje



Vem aqui. Vamos conversar. Calma, você não precisa dizer que odeia DRs porque isso é o que se espera dos homens com H de verdade. Homem que é homem não fica filosofando sobre e nem dando atenção às picuinhas oriunda das férteis mentes femininas – não é o que seus amigos diriam?

O fato é que andam dizendo por aí que você e seus parceiros machos estão mais perdidos do que quando tentam encontrar a margarina camuflada na geladeira. Vocês vinham ali, tranquilos, peneirando a farinha enquanto a mulherada chegava com o pão quentinho. Porque antes, pra ser um homem de respeito, bastava ser o provedor do arroz com feijão de cada dia. Bastava ter uma caranga decente. Bastava não chorar na frente dos brothers.
Quem iria imaginar que elas, entre uma receita de pudim e uma troca de fraldas, chegariam lá. Passaram a ganhar tanto quanto vocês. Se o homem não estava disposto a cuidar dos filhos, elas se multiplicaram como mulheres maravilhas – cuidaram da casa, da cria e da empresa. Em troca, ganharam liberdade que um dia lhes foi negada. O porto seguro do macho tradicional havia desmoronado.

Mas calma, isso, meus caros, não significa que elas lhes querem mal – e nem que não te querem mais, como diria Lulu Santos. Elas apenas estão em busca de outras coisas, já que já podem assinar o cheque e  dirigir sozinhas. Sim, elas já podem pagar suas contas, mas não é por isso que não querem mais  a presença masculina em suas vidas. Confesso, algumas se pudessem virariam lésbicas para poder lidar com seres mais semelhantes, mas como orientação sexual não se escolhe, vocês ainda são desejados. E muito. A gente conta como:

Sim, elas gostam de sexo hard. Mas não daquele sexo no estilo coronelista deite-que-vou-lhe-usar. Muitas vezes elas querem mesmo que você seja dominante – mas só porque sabem que é brincadeira. No fundo no fundo estão conscientes que, se quiserem, elas ditam as regras do jogo. E somente a pegada forte não basta – elas querem o combo completo – alguém interessante na cama e fora dela.

Elas adoram o corpo malhado do professor da academia mas se ele estraga tudo quando abre a boca, o tesão logo despenca mais rápido do que peito de vó sem sutiã. E elas não se conformam com a limitação masculina de se contentar somente com um peito ou uma bunda redonda. Se for só isso então, que chato.
Elas ainda se derretem com flores mas se elas chegam sem cartão perdem 90% da graça. Elas sabem que se quisessem mesmo uma flor pra enfeitar a sala, poderiam ir na floricultura da esquina e comprar uma a qualquer instante. Teria o mesmo valor.

Elas abominam caras mimados que foram criados pela mãe com maçã raspadinha mas seus olhos brilham diante de caras sensíveis. Porque homens sensíveis se identificam com uma parte do universo delas e, portanto, se tornam mais interessantes. De que adianta assistir Marley & Eu acompanhado se o cara do lado te pede pra passar mais um pedaço de pizza de calabresa bem na hora em que o cachorro está sendo enterrado?
Elas acham bacana quando você paga a conta, mas somente quando percebem que você o fez por gentileza, e não porque quer quer ela faça um deep throat mais tarde. Assim como elas gostam de retribuir e pagar a conta em outras vezes porque – afinal – ganham tanto quanto vocês.

Elas já sacaram que pro sexo ser foda – literalmente – não basta que ela seja gostosa e nem que você tenha um pintão. Querem sentir prazer sim – demoram o tempo que necessitarem pra gozar e admiram os caras que esperam o que for pra observar aquela cena. Elas também gostam de retribuir – sabem que boquete deixou há tempos de ser coisa de vadia e irão fazer um dos Deuses se acharem que você merece – ah e é claro, se você também tiver depilado a mata atlântica, afinal ela não admite mais ser a única vítima da cera quente.

Se foi bom, elas vão ligar no dia seguinte, não porque estão desesperadas pra arrumar um marido e ter uma penca de crianças pela casa, mas porque se utilizam muito bem do seu poder de escolha e porque já enjoaram mais do joguinho do cu doce do que de banco imobiliário.

Elas tendem a se encaixar nesses itens que acabou de ler, mas não se surpreenda se encontrar representantes dessa nova geração feminina que fujam totalmente à regra – afinal, elas conquistaram o poder da liberdade e o honrarão com unhas (pintadas, somente se quiserem) e dentes. Cabe agora aos homens perceber que um bolso cheio sozinho não mais adianta de nada, e que se elas ainda pedem para eles abrirem os potes de azeitona é somente porque os acham fofos executando essa função.

- Casal Sem Vergonha.

Você.



























Você nunca saiu da minha mente, por mais que tenha saído da minha vida; nunca saiu de mim, das minhas palavras, das minhas noites de sono e de insônia, das minhas tristezas e alegrias. Você está em tudo e em todo lugar, pois te carrego comigo. Levo uma vida normal, de rotina mesmo. Acostumei com a sua ausência e já nem dói tanto mais, conquanto tudo que eu faça tenha um pedaço seu. Posso dizer que você virou metade de mim por ter sido responsável por metade do que sou hoje, por ter me mudado, mesmo que pra pior, mesmo que não eu não tenha sido o mesmo pra você. Não me lamento, muito pelo contrário. Você me fez enxergar a parte ruim da vida e me fez mais lúcida, esperta. E acima de tudo, me fez ter o sentimento mais nobre que possa existir: o amor. E sinceramente, acho que igual o que eu tenho por você eu nunca mais terei. Puro, simples e bondoso. E disso eu me orgulho.

- Larissa Gentil.

Quem de Nós dois


Casais com uma história mal contada existem às pencas por aí. Eles eram apenas mais um. Naquele parque que tanto sabia deles, conversavam no que parecia ter sido um encontro casual. Depois de uma briga com o chefe, ele foi espairecer. Antes de seguir para a casa da mãe, ela foi simplesmente dar uma volta ali.

O que tinha acontecido eles sabiam muito bem e não cabe a mim, que não presenciei tudo, ficar dizendo quem tem razão ou não. Ou pra quem faltou razão. Eles se completavam, se gostavam e traziam tudo de maneira leve (talvez o maior segredo para casais que duram muito tempo). Mas, um dia, acabou.

Seguir cada um pro seu lado tem lá suas dificuldades. Tentaram e conseguiram ter êxito naquilo. Já tinham namorado outros, se envolvido com mais alguns e foram levando. Sempre faltando alguma coisa nos outros, só que era impossível admitir o que faltava de verdade. Ou quem faltava.

Lado a lado e sorrindo pela feliz coincidência, esqueceram que dia era, que compromissos tinham, que prioridades tinham urgência. Um pedaço do passado parecendo um túnel do tempo, um buraco de minhoca, estava ali. Lógico que cada um carregava mais linhas de expressões que o normal, mas eram eles mesmos.

Não vou ousar dizer quanto tempo eles ficaram conversando. Sei que foi muito. Eu como autor prefiro deixar que vocês, leitores, imaginem quanto tempo demora para conversar sobre futuro, passado, presente, destino... Os intervalos vão de um piscar até uma vida. Uma coisa era certa: não era complicado ver que a sintonia entre o casal continuava fina.

- Foi tudo tão mais fácil sem você. - ele mandou
- Tá sendo irônico? - ela se assustou com aquilo
- Nunca saberá...
- Deixa de ser criança, parece o velho menino que namorou comigo. - repreendeu.
- Noivou.
- Quê?
- Noivou... a gente tava na boca do casamento e você desistiu.
- Você errou. - como sempre
- Todos erramos.
- Uns mais que os outros. - a culpa era dele, claro.
- Ah, não tô nem aí pra essa conversa.

Ela riu.

Ela riu porque por mais que o tempo tivesse passado e por mais coisas que tivessem vivido, se pagaram conversando sobre eles. Perder de vista um ao outro foi foda. E por que atravessar logo agora o futuro de cada um? Era agora? Era a hora de revirar todo aquele sentimento?

- Desculpa. - ela pediu.
- Pelo o quê?
- Entrar sem querer de novo na sua vida.
- Só perdôo se você aceitar sair comigo pra gente conversar mais.
- É o único jeito de me desculpar?
- É.

Quem vai dizer que é impossível o amor acontecer... de novo?

- G. Lacombe

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vontade.


Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou, e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.

- Caio F. Abreu.

Mulheres Alfa.

Machos do meu Brasil, do mundo e de Marte, afivelem bem os cintos, pois a mulher alfa acaba de assumir o volante de vez. Esse exemplar de fêmea Mega Power² não aceita ter uma bunda gostosa que só serve para rebolar, muito menos quer ostentar nádegas eternamente passivas, destinadas sempre ao banco de passageiros. Ela agora está no controle. Pilota sem medo um conversível furioso, passando rímel enquanto faz uma baliza perfeita. Quebra todos os limites impostos pelo machismo de museu e, com toda certeza, não pisará no freio, mesmo que o Vin Diesel, aos prantos e aterrorizado, peça para sair.

Ela possui um poder notável, capaz de fazer o Capitão Nascimento parecer um mero usuário de fraldas. Ela transpira rios de segurança, mas nem por isso borra um milímetro sequer da maquiagem feita com a maestria de um pintor renascentista, enquanto simultaneamente amamenta gêmeos, lê o jornal do dia, joga sinuca e ainda planeja dominar o mundo. Sim, as mulheres alfa um dia farão com que a Terra seja conhecida como “planeta rosa”, ao invés de planeta azul.

A mulher alfa gosta dos homens, claro que gosta, mas aprendeu muito bem a não depender deles, para nada. Elas trocam pneu sem descer do salto. Abrem o vidro de azeitona com a ajuda de tutoriais científicos do YouTube. Criam técnicas femininas para sobrevivência na selva, sendo capazes de quebrar cocos com o auxílio do salto agulha e de fazer fogo utilizando apenas um laquê. Sem contar que elas geralmente dominam as mais cruéis modalidades de defesa pessoal e, ao menor sinal de ameaça, extinguem testículos com a mesma facilidade de quem estoura um plástico bolha.

Elas chegaram lá, no topo da aparentemente imutável cadeia alimentar e, para isso, não precisaram injetar nem uma gota de testosterona nas veias. Nem mesmo recorreram aos bigodes postiços ou tiveram que prender o cabelo e escondê-lo dentro da cartola. As mulheres alfa assumiram a presidência, a direção, os campos de futebol, os ringues e qualquer lugar antes só destinado aos homens, mas nunca, por nada, abriram mão daquela feminilidade que tanto amamos.

Hoje elas tomam uísque sem gelo, mas nem por isso deixaram de se derreter quando se deparam com um filhotinho de labrador. Hoje, elas seguram firme a rédea de uma empresa multinacional, mas lindamente não conseguem segurar as lágrimas quando o mocinho, enfim, pede a mocinha em casamento no cinema. Hoje, elas não têm o menor medo de lutar com unhas e dentes por direitos iguais, mas felizmente, ainda pulam em nosso colo e nos agarram forte quando encontram uma barata, um grilo, um rato, um morcego, um besouro, uma formiga ou até uma mariposa. Não porque precisam – apenas porque querem.

Vejo muitos homens dizendo por aí que ainda preferem as mulheres submissas, dessas quase escravas. Barbados que vivem defendendo o retrocesso e a volta das mulheres de Atenas, que viviam, secavam e morriam pelos maridos. Na minha humilde opinião, tais homens só gostam dessas “Amélias”, pois só ao lado delas conseguem fingir que são machos alfa e líderes de alguma coisa, quando na verdade eles não passam de homens Zeta, lotados de insegurança e frustrações. Eternos bundões que nunca conseguiram nem o cargo de chefe dos escoteiros e que passaram a vida toda sofrendo pela desobediência do próprio cachorro.

Eu não quero uma mulher que dependa de mim, não preciso disso para fingir que sou superior a alguma coisa. Eu quero mesmo é admirar a mulher que estiver ao meu lado, ou à minha frente, por que não? Quero aprender com ela também, não apenas ensinar. Quero olhar nos olhos dela, enquanto ela me conta como foi o dia e pensar: “Caralho, como é que ela é capaz de fazer tudo isso e ainda consegue me fazer tão feliz?”.